Criança de concreto, por Michele Melo

Criança de concreto

Se confunde com vigas,

paus, pedras, sarjetas.

 

Jogado ao vento,

Com fome em sua barriga,

Companheira do relento.

 

Menino de rua

Perto, longe, invisível,

Vive a realidade crua,

Desprezível

 

De onde veio?

– alguém pergunta.

Por que está aí?

– me questiono.

Como animal solto e sem dono

Vive vagando por ruas,

Becos, nas sombras,

 

É desprezível

É não-criança

É imprestável

Um grito:

É culpa sua!

 

(Ou nossa)

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4 Resultados

  1. MONICA NASCIMENTO MELO OLIVEIRA disse:

    Michele Melo!
    Espero que esse nome apareça muitas vezes por aqui!

  2. Nobrenise da Silva M Machado disse:

    Linda poesia, que reflexão. 🙁

  3. Helenice disse:

    É muito realista! Parabéns Michele Melo, tens uma visão holística!

  4. Michele Nascimento Melo Magalhães disse:

    Fiquei muito feliz em ter sido selecionada.
    Sou uma escritora de Rondônia, com muita vontade de espalhar meus textos por aí.
    Quem quiser me seguir, meu insta é @partilharpoesia.

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